terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Salkantay - 19 a 22 de julho de 2016


Acordamos 3h30 para esperar a van que iria nos buscar (ainda em Cusco) e levar ao começo da trilha, mas o que aparece é só o guia, a pé, que nos leva a praça onde todos estão se reunindo, não sei quanto tempo esperamos até realmente o microônibus aparecer.

Depois de 2h30 de estrada chegamos onde seria nosso café da manhã, que ainda não estava incluso no nosso pacote, que variava de 15 a 30 soles, os mais simples ou completos. Tivemos nosso primeiro contato com os futuros colegas de caminhada, aproveitei para comprar um bastão de caminhada, 5 soles (um pedaço de pau com um crochê na ponta, mas que foi muito útil durante toda a caminhada).

Após mais meia hora dentro do ônibus chegamos ao nosso ponto de partida real, e começamos nossa caminha de 15 km do dia, e mais de 1000 metros de subida.

Na trilha é todo mundo meio independente, é incrível, foi minha primeira trilha e já encarei uma das piores, e encarei bem mal, cheguei ao acampamento era 14h30, e foi servido o almoço, com sopa de quinoa, truta frita, arroz, guacamole, só de lembrar das comidas que serviram na trilha me dá água na boca, foram às melhores de toda a viagem, tínhamos cozinheiros exclusivos, e os caras eram muitooooo bons.

Depois do almoço teríamos folga até o outro dia, alguns foram ver uma lagoa que ficava a 1,5km dali, mas eu não estava aguentando comigo, e ainda era só o primeiro dia de viagem, então preferi descansar escrever um pouco sobre a viagem enquanto esperava os outros irem, voltarem, servirem a janta e ser o horário de dormir.

Nesse dia ficamos em acampamentos, porém as barracas já estavam armadas e era só colocar o saco de dormir e estava tudo pronto (três dias da viagem foram em barracas), nesse dia não consegui me esquentar, e olha que não estava tãããão frio assim, dormi muito mal devido a isso.

Decidi, depois de muito pensar, quase chorar, pedir pela minha mãe (risos) que no outro dia subiria os outros 1000 metros e 7 km de burrinho, aluguei por 100 soles, fiquei com muita dó do animal, mas eu não tinha condições físicas, já estava com os pés cheios de bolhas e ao todo a caminhada seria de 22 km, então eu teria outros 15 km a pé de qualquer forma.

Acordamos às 5h da manhã para tomar café da manhã, arrumar as coisas e começar a caminhada, eu fiquei mais um pouco no acampamento após os colegas saírem, já que eu ia de burrinho, fomos em três, uma uruguaia e uma alemã.



Quando eu vi o tamanho da subida que teríamos que enfrentar, vi que realmente eu não aguentaria sozinha, meu burrinho era louco e atacava o burrinho das minhas colegas, então nosso guia teve que ir levando ele afastado dos outros (e muitos risos no trajeto).



Chegamos ao pé do morro que dá o nome a trilha Salkantay, estávamos a 4600 metros de altitude, a visão que temos desde lugar, dos arredores, da neve, e do quanto somos pequenos perto de tudo aquilo, é incomparável, um momento de muitas orações e contemplação, inclusive por parte dos guias.




Mas ainda teríamos mais 15 km de estrada para chegar até o acampamento, essa caminhada foi em meio à selva peruana e nossos guias falavam que a gente não poderia chegar de noite ao acampamento pois ali haviam muitas Pumas. Embora meus pés doessem muito à caminhada foi menos pesada que no dia anterior, onde fiz os mesmos 15 km. 

Nosso acampamento ali nos separava da selva por uma cerquinha de madeira, e fiquei pensando, pra que andar tão rápido para 'fugir' das pumas se o acampamento era aberto para elas (risos), mas a noite foi tranquila e eu não ouvi nenhum barulho estranho, devido a estar muito cansada também, apaguei.



Esse acampamento era mais estruturado e era possível tomar banho (pagando uma diferença a parte, se não me engano 10 soles) enfrentar a lista de espera e por tempo determinado, mas era um banho e isso que importava.

No terceiro dia nossa caminhada seria de 18 km, maior parte pelas estradas onde passavam os carros, então fiz metade do caminho de carro, 20 soles e a outra metade a pé.

O caminho todo estava muito seco, andar pela estrada em meio aos carros transforma a respiração da gente péssima, ainda mais quando se tem muitaaa alergia da poeira, tinha horas que a falta de ar da altitude não era tão grande quanto à falta de ar devido à falta de chuva.


(Pachapapa)

(Pachamama)

Quando chegamos ao nosso terceiro e último acampamento podíamos ir passear nas águas termais próxima, foram 22 soles pela ida, volta e entrada, fomos num microônibus pela estrada mais louca de todas, mas a 'vibe' que rolava lá dentro era a melhor também, poder tomar um banho, ficar relaxando dentro de uma piscina quente e ver a terra sair debaixo das minhas unhas era a realização de um sonho kkkkk.




Durante o jantar nos foi mostrado um passeio de tirolesa e uma ponte suspensa, e como eu estava a fim de curtir o máximo que podia da viagem, decidi fazer, porque essa talvez seria uma oportunidade única, Salkantay, talvez nunca mais. Paguei pelo passeio 25 dólares.

E ainda para finalizar a noite, após a janta ainda tivemos uma festa na fogueira, com músicas de todos os países, inclusive brasileira, mas achei melhor não ficar muito e não beber, afinal ainda tinham mais dois dias intensos pela frente e sem muito descanso.



No quarto dia, a caminhada que seria de 22 km então caiu para 11 km, e a van nos largou na hidrelétrica, para chegar até Águas Caleintes, destino final antes de chegar a Macchu Picchu.






O passeio pela tirolesa é muito bom, ao todo são cinco, que você atravessa de um morro ao outro, sobre a floresta e sobre um rio.

(Rio no meio da caminhada, primeiro dia)***

(Outro rio, segundo dia)

(Outra foto do rio no segundo dia)

(Uma das nossas maravilhosas e lindas refeições)

***Eu lembro que durante uma das conversas com meu guia eu perguntava sobre os rios existentes no Peru e ele disse que todos eram estilo aqueles que passamos, pequenos e sempre de grande correnteza, e eu expliquei a ele sobre os nossos rios, sobre a grandeza de rios como o Amazonas, Paraná, Paraguai, e ele pareceu não acreditar naquilo. Ele disse que queria conhecer o Brasil, então sugeri ele ir a Foz do Iguaçu, conhecer a imensidão daquelas águas. ❤

Cusco - 18/07/2016 e 24/07/2016


(Ruela em Cusco)

Chegamos a Cusco as 5 da manhã (mais uma vez de madrugada kkkkk), pegamos um táxi para irmos até o Hostel em que as meninas estavam hospedadas, e reunir novamente o grupo, 3 soles de taxi. Não havia mais vagas no Hostel então ficamos aguardando as meninas levantarem para combinarmos o que iríamos fazer.

Assim que elas levantaram fomos tomar café da manhã na rua e compramos coisas para comer durante o dia e água em um mercado próximo a praça das armas.


Fomos a uma agência e fechamos o passeio pelo vale sagrado por 25 soles, com direito a microônibus e guia. 

No passeio do vale sagrado conhecemos Ollantaytambo e Pisac, foi meu primeiro contato com a 'civilização' Inca e já me trouxe uma paz interior que não tem nem como descrever. Vale muito à pena pagar para ter o guia também, pois ele dá explicações que sem ele não seria capaz de perceber, e tirando que foi super barato. Me comove só de pensar toda a emoção que eu senti ao pisar naquele solo tão sagrado. É uma experiência para toda a vida, e quem vai a Cusco, deveria muito conhecer os outros lugares históricos e sagrados além de Machu Picchu, pena que só pude conhecer estes, mas num retorno (que pretendo um dia fazer, em breve) irei com mais tempo, com certeza.







Fomos visitar também uma casa típica dos moradores locais que nos ensinaram todo o processo desde a retirada da lã das Lhamas até a finalização, no tear, das peças que eles vendem. Comi um dos melhores churros e mais diferentes que já vi, era uma massa parecida com de pão, frita e recheada de doce de leite.

Na casa que visitamos tinha uma enorme 'casa' com Cuy (porquinho da Índia) que para eles é utilizado na alimentação, como uma iguaria, me recuso a comer (risos), tadinho dos bichinhos.

Quando voltamos a Cusco, eu e o Josi, fechamos Salkantay, já que as meninas não teriam tempo para fazer essa trilha com a gente, foi 140 dólares inclusos café da manhã, almoço, janta, hospedagem, guia e entrada em Machu Picchu, para iniciar no outro dia.




Aproveitei para comprar uma faixa para os ouvidos e uma mochila menor, para levar meus pertences de mão, já que a mochila “grande” da trilha tinha que ter, no máximo, 5 quilos, o mochilão deixamos na agencia. Ela ficou lá 'jogada' num canto, não posso dizer que ninguém mexe, mas fui e voltei e ela estava lá, com tudo no lugar.

Compramos também purificador de água para levar no Salkantay, totalmente desnecessário, pois a cada pouco tem uma barraquinha vendendo água, no meio do nada kkkkk.


Regresso pós Salkantay

Cheguei em Cusco era 23h, o Josi tinha ido numa van mais cedo, então ficamos de nos encontrar no hostel, quando cheguei lá o hostel estava lotado, mas o dono havia dito que ele estava dormindo, subimos ao quarto e ele estava trancado, o Josi havia saído, o dono do hostel queria que eu dormisse lá até o retorno do Josi, eu me recusei e fui atrás de um outro hostel, na chegada ao outro hostel, quando consegui conexão do Wifi descobri que o Josi também não havia se hospedado no hostel inicial e fiquei imaginando a cena, se eu tivesse aceito ficar no quarto, que só teria uma cama, e chegasse o cara que eu não conhecia para dormir, iria virar um fuzuê, mas esses tipos de “perrengues” todos passamos kkkkk.

Eu o Josi ficamos em hostel diferente, as meninas já tinham ido embora, combinamos de dormir “até tarde” e sair conhecer a cidade depois, meu dormir até tarde foi 6h30, acho que tava acostumada a dormir tarde e acordar cedo,quando falei com o Josi, ele também já tinha acordado, então tomamos café da manhã e nos encontramos na rua, primeiro pegamos um taxi para ir até a rodoviária e comprar suas respectivas passagens, eu iria a Santa Cruz e ele a Porto Maldonado, nosso táxi ficou esperando e cobrou 15 soles pela ida e volta, e paguei mais 70 soles no ônibus, nossos ônibus só sairiam de noite.


Dia que todos os domingos de manhã tem desfile na praça das armas então ficamos lá e assistimos, além de haver vários outros desfiles em comemoração a algum santo local, a cidade estava agitada.




Aproveitei para comprar alguns presentes para mim, meus familiares e amigos, almocei no Mercadão Municipal e paguei o hostel. Foi nosso dia livre, para descansar e encarar novamente a estrada.

(Praça das Armas em Cusco)

(Praça das Armas em Cusco)

(Praça das Armas em Cusco)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Puno - 17/07/2016


Chegamos em Puno às 16 horas, o Guia já nos aguardava, nós fomos os últimos a chegar do nosso grupo, a aduana estava bastante movimentada e foi complicado para passarmos devido à quantia enorme de pessoas também querendo atravessar.



Fomos conhecer as Isla Los Uros, que parece uma viagem no tempo, ilhas flutuantes feitas pelos próprios moradores, e que tem um jeito exótico de se viver, não sei se eu conseguiria, dá muito medo de andar e tudo aquilo afundar, embora saiba que seria algo praticamente impossível.


(Sol começando a se por em Puno)

Lá eles produzem um artesanato lindo, que é feito da mesma planta das ilhas, onde eu comprei um ‘pêndulo’ que está sobre minha cama para me lembrar todos os dias da minha viagem.

(Lembrança do Lago Titikaka, feita de Totora, mesmo material que são construídas as Ilhas, pendurado abaixo, uma concha que ganhei durante a viagem, ela está fossificada, encontrada na Cordilheira dos Andes, acreditam que estava desde que aquela região era mar)

Enquanto estávamos no barco conhecemos uma família do RS que estava fazendo o trajeto inverso ao nosso, e durante a conversa descobrimos que eles tinham comprado as entradas ao Vale Sangrado – em Cusco, e não havia utilizado, e nos cederam gentilmente, nos economizando em torno de 130 soles, o que em uma viagem como essa é muito dinheiro,e nós não deixaríamos de fazer esse passeio de qualquer forma.

(Tchola manobrando o barbo de Totora, com uma criança de menos de um ano 'solta', tava quase infartando, vendo aquela criança ali kkkkkkk)

Retornamos a rodoviária para esperar nosso ônibus, Puno é uma cidade muito barata, mas, ao meu ver, não tem muito o que fazer, fizemos o passeio em meia tarde e já foi suficiente para conhecer seu principal atrativo. Nesse dia minha máquina estragou, então não vou ter muitas fotos, infelizmente 😢.

Copacabana 16 e 17/07/2016


Partimos logo pela manhã pra Copacabana, o ônibus foi 40 bol e o taxi até o cemitério (local onde pegava o ônibus para ir para lá) foi 20 bol, dividido por 3, nesse dia nosso grupo se separou, a Vivi e a Cris preferiram ficar mais um dia em La Paz, enquanto eu a Carol e o Josi fomos para Copacabana, combinamos de nos encontrar novamente em Cusco.

Durante o trecho tivemos alguns gastos, com a lancha, 02 bol, onde há um trecho que não tem ponte para atravessar um ‘braço’ do Lago Titicaca e é necessário pegar essa lancha, nessa parada aproveitamos para comprar coisas pra viagem (comidaaaaa) pipoca (igual aquelas que vendem no Brasil do pacote rosa, lá eles vendem sacos enormes e deliciosas). 




Chegando a Copacabana fechamos um pacote para nosso retorno, que nos levaria a Puno e depois a Cusco, por 200 bols, já incluso um transfer em Puno até o outro lado do Lago Titicaca, guia, e passeio pelas Islas de Uros.


(Isla del Sol lado Sul)

Na mesma agência pagamos 20 bols pela lancha que nos levaria até a Isla Del Sol, onde passamos a noite, decidimos ficar no lado Norte por recomendação de outros viajantes que já haviam vindo de lá e falaram que era mais bonito que o lado sul, e realmente, achei muito mais bonito, porém mais simples, nossa embarcação saiu as 13:30, e demora duas horas até chegar no lado norte da Ilha. Para entrar na Ilha é necessário pagar mais uma taxa de turismo, 10 bols que ninguém informa também antes de você chegar lá.



Durante o trajeto na embarcação é possível ver, a direita, em alguns trechos, a Cordilheira dos Andes, coberta de neve, que quase chega a se confundir com as nuvens, incrível.



(Esse horizonte branco é a Cordilheira❤)

Conseguimos um hostel por 25 bols, a meu ver, muitoooo barato, pois é uma ilha no meio do nada, com poucas opções de hospedagem, achei bem interessante e imaginei que passar a noite lá seria muito mais caro.


(Vista da sacada do Hostel)

(Vista da sacada do Hostel para a 'praia')

Nesse hostel tivemos um ‘pequeno’ perrengue, pois não havia água, era necessário ficar correndo atrás dos donos e implorando para eles ligarem a água pro chuveiro ou a própria descarga do banheiro, nessa hora descobri que sabia mais espanhol que eu imaginava (risos), acredito que a água do local deve ser controlada, devido a vir tudo do lago, mas acho que eles deveriam informar esse tipo de coisa. Nosso hostel era banheiro compartilhado, enquanto os hostéis com banheiro privativo tinham água sempre, que me deixou mais possessa, mas depois da nossa 'conversa' era só a gente pedir que eles ligavam a água.

(Igrejinha no meio da Isla)

Nesse primeiro dia ficamos pela própria ‘praia’ do lago, que tem um por do sol encantador, posso dizer que um dos mais lindos que eu já vi em toda minha vida. Foi o primeiro dia, desde que fui pra Uyuni que consegui por shorts e camiseta, já que na Isla é razuavelmente quente, até começar a escurecer, onde começa a ventar e esfriar novamente, mas deu pra passar uma meia tarde sem aquele mundo de roupas.



Jantamos em um dos restaurantes locais, que tinha uma sopa deliciosa (voltei apaixonada pelas sopas deles), foi um prato tradicional, arroz, batatas e truta.



Pela manhã decidimos acordar bem cedo, pois queríamos conhecer a Ilha antes de retornar a Copacabana, porém o sol só saiu depois das 7, então ficamos no hostel enrolado até clarear o dia. Procuramos um café-da-manhã que foi um lanche com café, o lanche era enorme e dividi-o com um cachorro que me olhava sem parar, ele tava bem gordinho, mas não conseguia comer com ele me olhando, normal ter cachorro sempre em volta esperando um pouco da sua comida, sempre dóceis e aparentemente bem cuidados.


Fizemos caminhas nos lugares próximos, pelas trilhas locais, com um mapinha que vem atrás da tarifa de utilização da Ilha, porém minha caminhada foi um pouco curta, queria tomar um banho, lavar minha cabeça, aproveitar que lá estava quente e a água do chuveiro era boa, apesar dos perrengues passados no dia anterior.





Nossa lancha de retorno a Copacabana sairia as 10h30, para que pudéssemos pegar o ônibus que nos levaria a Puno, pagamos 30 bol cada. Eu não sou uma pessoa fã de picolés, mas como na Bolívia e no Peru a maioria das bebidas são servidas em temperatura ambiente e eu costumo tomar elas sempre muito geladas, inclusive pelo 'vício' do Tereré (bebida típica do MS),  sentia uma necessidade de coisas geladas, então sempre acabava comprando um pelo caminho (risos).

Chegando novamente em Copacabana, na hora do embarque foi uma confusão danada, mas não sei como eles se entendem, estava morrendo de medo de não conseguir embarcar (embora tivéssemos recibo do passeio e pagamento), mas eles são muito honestos e não tivemos problemas nem ali e nem em Puno para pegarmos o ônibus.